Sonhando em Viajar!

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Viajando sozinha – relato de viagem.

Olá!

Já viajou sozinha? Prefere viajar sempre acompanhada? É questão de coragem?

Hoje vamos postar o relato da Aninha, uma viajante que adora a Disney e vai nos contar como foi sua viagem sozinha para Orlando.

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Vamos lá!

Muitas pessoas tem medo de viajar sozinhas. Eu também tinha um pouco, até que em 2002 um primo meu estava morando em Orlando e decidi ir visitá-lo.

Isso foi em fevereiro, apenas 5 meses depois do 11 de setembro. Me hospedei com meu primo, mas como ele trabalhava, eu fazia absolutamente tudo sozinha durante o dia. Fui a todos os parques e malls, de ônibus e trolley. Naquela época não me aventurei a alugar carro e nem tinha opção de levar celular. Muito menos planejei a viagem.

Fui de Varig, com conexão em Miami. Sendo uma empresa brasileira me deu um certo conforto, mesmo estando sozinha.

Lembro que quando cheguei lá, ele estava no trabalho e tinha deixado a chave embaixo do capacho pra mim. E eu estava tão extasiada de estar ali, depois de 11 anos sem ir, que me esqueci de avisar meus pais que eu tinha chegado bem, e de noite quando voltei da minha bateção de pernas os roommates do meu primo estavam quase chamando a polícia pra me procurar, porque a minha mãe estava histérica querendo noticias!

O apto que eles moravam era uma graça, num condomínio na International Drive chamado Mission Club Apartments, quase em frente ao Premium Vineland.

Eram 3 quartos, num deles ficavam os donos do apto (um brasileiro casado com um americano), e os outros 2 eles alugavam pro meu primo e um outro menino hispânico. Como eu dividi o quarto com meu primo, paguei metade do aluguel. Ah, e tinha o Wolf, um husky mega-ultra-hiper fofo e tímido. Demorei pra ficar amiguinha dele.

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Eu saía de manhã cedinho, decidia onde iria naquele dia, ia pro ponto de ônibus ou do trolley, me virava nos mapas, fazia baldeação e perguntava pros motoristas como chegar onde eu queria. No final do dia catava um public phone e ligava pro meu primo ir me buscar e fazermos algo de noite. Todos os parques fechavam mais cedo, não sei se por ser inverno ou baixa temporada, e estavam super vazios, por isso eu conseguia fazer e repetir tudo muito antes do anoitecer, então ia embora antes de fechar pra aproveitar a carona.

Geralmente íamos pra Downtown Disney ou City Walk, onde tinha tudo que precisávamos: diversão e comida. E além disso, em Downtown Disney era onde ficava a mega store da Virgin, meu paraíso na terra. Devo ter ido naquela loja pelo menos umas 4 vezes, e cada vez ficava no mínimo umas 2 horas lá dentro, e muitos dólares mais pobre.

Um dia resolvemos ir ao cinema, e meu primo e um amigo dele, brasileiro que também morava lá e as vezes saía com a gente, dormiram de roncar. O filme era ruim demais, mas foi nesse dia que percebi que cinema era um programa legal fora do circuito parques-compras, e desde então sempre tento ver algum filme nas viagens a Orlando.

Teve uma noite que fomos na Pleasure Island, e voltamos bem tarde. No dia seguinte eu aproveitei carona pro Animal Kingdom (parque que eu ainda não conhecia) muito cedo, então dormimos só umas 2 horas. Conclusão, no meio do dia escolhi um banquinho bem bonitinho, me encostei na mochila e apaguei!!!! Acordei quase na hora de fechar o parque, e praticamente não conheci nada nele, mas foi um sono muito bom!

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Nessa viagem também conheci o Islands of Adventure, que ainda não existia nas vezes que fui anteriormente. Me apaixonei tanto por ele que voltei mais 2 dias. Lembro que quando vi a Dueling Dragons pela primeira vez (pra mim ela vai ter sempre esse nome, assim como Downtown Disney e MGM Studios, rsrs) fiquei atônita, num misto de vontade louca de ir e medo desesperador. Depois de muitos minutos analisando todas as curvas e loopings e ouvindo os gritos, resolvi ir atrás do meu amigo telefone público e ligar pro meu primo (ponto negativo de estar sozinha: não ter ninguém pra te encorajar nessas horas. Ponto positivo: não ter ninguém pra te desencorajar, rs). Ele praticamente me obrigou a ir, disse que eu iria amar, e eu confiei nele. Realmente, ela se tornou uma das minhas montanhas-russa prediletas. Que agora infelizmente não existe mais.

Também me apaixonei pelo Blondies, aquela lanchonete onde você monta seu sanduíche. Nem tanto pela comida, mas foi ali, depois de um almoço bem gostoso, que olhei as fotos que eu já tinha revelado, peguei os álbuns que tinha comprado na lojinha em frente e comecei a organizar meu primeiro álbum da viagem.

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Mais pro final da minha estadia eles se mudaram. Tinham comprado uma casa num bairro mais afastado, bem maior que o apto. Passei um dia quase inteiro ajudando na mudança, até meu primo ficar com pena de mim e me dar as chaves do carro dele pra eu ir passear no Premium. Pensem num trajeto de 1km + uma pessoa apavorada por dirigir em outro país pela primeira vez, sozinha e com carro dos outros. Acho que levei uns 40 minutos pra chegar lá!

O bairro novo era feinho, em comparação com a International Drive. A casa era bem afastada da “civilização” (meio do mato pra falar a verdade), não era área turística e era bastante complicado pegar ônibus. Então nos dias seguintes eu sempre pegava carona até o ponto, não tinha mais como sair nem voltar sozinha. Mas foram poucos dias.

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A única parte chata da viagem é que fiquei doente. Teve um dia que acordei mais tarde e todos já tinham saído pra trabalhar, e chovia torrencialmente. Óbvio que eu não tinha guarda chuva, muito menos casaco apropriado pra frio, e fazia uns 15 graus (pra pessoas normais, mas pra mim que sou muito friorenta era sensação térmica de 5). Mas eu não queria ficar trancada dentro de um apto vazio, eu estava em Orlando! Saí na chuva mesmo, e antes de chegar no ponto já tinha virado um pinto encharcado. De noite tive uma dor de cabeça fenomenal, doía até pra pensar. Fiquei 2 dias jogada na cama, só levantando pra ir ao banheiro, com o dono do apto preocupado comigo e me levando sopinha pra ver se eu melhorava, até que meu primo finalmente descobriu o que eu tinha, era crise de sinusite! Então ele me arrancou da cama e me levou na farmácia, compramos o remédio e fomos comer no Dennys (eu não tinha comido nada nesses 2 dias) e no dia seguinte lá estava eu saltitante e serelepe de novo! Por causa desses 2 dias perdidos, fui ao escritório da Varig e remarquei minha passagem pra 2 dias depois, pagando uma taxa de $75.

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Naquela época, muito por conta dos atentados, a cidade estava vazia, e ao contrário do que muitos imaginam, foi tudo mais fácil. Tinha pouca gente nos lugares, nos transportes públicos, parques sem filas, cidade sem trânsito… Exceto pela rigorosa fiscalização nos aeroportos e entradas dos parques, que confesso, me deixava um pouco apreensiva por estar sozinha, foi tudo muito tranquilo. E a sensação de liberdade foi indescritível. Poder comer onde quiser, a hora que quiser, repetir os parques quando dava na telha, repetir a atração que mais gostar várias vezes e se arrepender depois (passei mal depois de ir 8 vezes na Dueling Dragons e 4 vezes na Hulk, todas seguidas, rs), sentar num banquinho e ficar o tempo que quiser olhando o movimento e descansando as pernas, entrar na mesma lojinha várias vezes sem ninguém te puxando pra salvar sua conta bancária, decidir pegar o monorail no meio do dia só pra dar um passeio…

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Claro que eu não estava totalmente sozinha, pois sempre tinha companhia durante a noite. Mas o fato de estar sozinha nos parques e shoppings não foi em nenhum momento ruim, pelo contrário, foi muito agradável. Até pra tirar fotos minhas foi tão fácil que tenho muitas, sempre tem alguém disposto a te ajudar. E nas filas das atrações mais radicais sempre tinha alguém tão medroso quanto eu pra puxar papo e dividir a ansiedade.

Foi uma viagem mágica, e arrisco dizer, a melhor da minha vida.

Hoje em dia não sei se teria a mesma coragem, a idade me deixou um pouco mais medrosa. Mas é a viagem da qual me recordo com mais nitidez, lembro de cada detalhe até hoje, e vou guardar todas essas memórias com muito carinho pra sempre.

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Aninha, adorei seu relato!

Confesso que tenho um certo receio de viajar totalmente sozinha. Ainda mais para o  exterior. No Brasil já fui. Um dia, quem sabe!

Muito obrigada!

Até o próximo post!

 

 

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3 Comentários

  1. Aninha

    Que legal! Espero ajudar alguem que queira se aventurar! Obrigada por publicar meu relato! 😘

    • adriramos

      Aninha! Eu que agradeço!

  2. Confesso que prefiro viajar acompanhado, mas já viajei sozinho e é outro clima… um momento consigo mesmo, no seu ritmo, bem gostoso também.

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