Sonhando em Viajar!

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Entrevista com Luiz Felipe Ungerich – Estudar no exterior.

Olá!

Hoje, na parte do Blog que fala de Sonhos Realizados, teremos uma entrevista com uma pessoa que está prestes a realizar o sonho de morar nos EUA e ao mesmo tempo fazer um doutorado numa universidade americana.

Nosso entrevistado é Luiz Felipe Ungericht, arquiteto, marido de uma amiga, a Luciene (que vai junto! E vai nos contar depois como foi a experiência.) que vem nos contar como foram as etapas para conseguir ser aceito para fazer um doutorado nos EUA e como conseguiu bolsa de estudos.

Esta é a família que vai junta, unida participar desta experiência. Nosso entrevistado, Luiz Felipe, sua esposa Luciene e a bela Lauren.

Luciene e Lipe

É muito interessante e, quem sabe, estimule alguém a seguir os mesmos passos!

Então, vamos lá!

1- O que te levou a fazer esta escolha?

Foram diversos fatores que me fizeram buscar um programa de doutorado nos Estados Unidos, desde a vontade de morar no exterior e viver uma cultura diferente, motivação profissional e principalmente a oportunidade de estudar em uma Universidade com excelência acadêmica em diversas áreas.

Não que no Brasil não existam excelentes Universidades, muito pelo contrário. Fiz minha graduação em Arquitetura e Urbanismo na UFSC e meu mestrado na UFRRJ. Foram experiências maravilhosas com ótimos pesquisadores e professores e que, com certeza, contribuíram muito para minha formação profissional e pessoal. Porém neste momento de minha vida profissional senti a necessidade de expandir minha inserção acadêmica em uma universidade que figurasse entre as melhores do mundo, e várias delas estão nos EUA. Isto além de atrair os melhores pesquisadores, também atrai investimentos em projetos de pesquisa inovadores e oferece a infraestrutura necessária para desenvolvê-los. Novamente, sem desmerecer os programas de doutorado no Brasil, com ótimas opções; mas na minha escolha pesaram os fatores acima destacados, e isto vai depender muito do projeto de pesquisa que você quer desenvolver, tem áreas que, academicamente falando, não faria sentido estudar fora.

Mas, sabe quando você vislumbra a possibilidade de trabalhar com aqueles professores, que são os autores de textos usados como referência bibliográfica em seus trabalhos?

2- Como descobriu o programa?

Aqui da para separar em duas partes, o programa de doutorado (PhD) e o programa Ciência sem Fronteiras do governo federal.

Como eu disse anteriormente por diversos fatores comecei a procurar Universidades Americanas para realizar meu PhD. Como minha área de interesse em mente, busquei em rankings de universidades, reputação do programa, estrutura do departamento e principalmente pelo corpo docente e sua produção acadêmica. Durante o PhD trabalharemos diretamente com pesquisa, e observar se seu projeto e seus interesses se encaixam em determinado programa é muito importante.

Neste ponto não adianta apenas ir pelo nome da universidade, pois nem sempre as mais famosas têm os melhores programas de doutorado na área em que você procura, e consequentemente serão o melhor encaixe para você. É normal as universidades terem excelências em áreas específicas, assim como também acontece no Brasil.

Agora, um PhD nos EUA é extremamente caro. Praticamente irreal para bancar do próprio bolso, principalmente para nós brasileiros. Então a forma seria buscar uma bolsa de estudos.

Existem algumas opções, mas posso falar um pouco mais sobre a que optei. Não é de hoje que o governo federal oferece bolsa de estudos para pós-graduação, tanto para estudar no Brasil, quanto no exterior, porém o programa Ciência sem Fronteiras (CsF) veio realmente alavancar a ciência no país. O CsF oferece bolsas em diversas modalidades, graduação, mestrado, doutorado e pós doutorado. Foi concebido para atender algumas áreas acadêmicas, identificadas como prioritárias para o desenvolvimento do país. O interessante destas bolsas do governo federal é que o estudante contemplado tem a obrigação de retornar ao Brasil para aplicar o conhecimento adquirido com financiamento público, proporcionando este intercâmbio de conhecimento. O valor efetivamente recebido pelos estudantes de doutorado não é grande, e especialmente quem vai com família pode ser bem apertado; porém o programa paga integralmente os custos com taxas e mensalidades da universidade, que é um valor quase impeditivo para desembolsarmos por conta própria.

Foi em 2012 que conheci o CsF, que eu lembre foi a partir de propaganda na TV, e depois em conversas com amigos e pesquisa na internet. O programa é mais conhecido pelas bolsas para estudantes da graduação, que estão indo em grande número estudar um semestre ou dois em uma universidade estrangeira. Porém é o mesmo programa que oferta as bolsas para pós-graduação.

3- Como foi o processo para participar?

Longo e bem trabalhoso! (Rsrsrs)

Uma coisa que temos que aceitar é que o PhD começa no momento em que decidimos nos inscrever, fato! É claro que sei que o mais difícil está por vir, mas aceitar isto irá facilitar a sua organização.

Os editais do CsF tem uma pequena variação entre si. Um exemplo é o órgão do governo que administra, ano passado quando me inscrevi estava com a CAPES, este ano com o CNPq.

Mas em essência é a mesma coisa, principalmente nas exigências das universidades americanas, que são as mesmas. Vou tentar elencar um pouco as mais importantes.

Existem dois testes padrão, que quem quer estudar na pós-graduação nos EUA não tem como escapar, o teste de proficiência em língua inglesa: são dois os principais teste aceitos, o TOEFL iBT e o IELTS, a nota mínima varia de universidade para universidade; e o GRE, que é uma prova que avalia competências quantitativas e qualitativas no estudante, envolvendo muita lógica e interpretação. O GRE é exigido inclusive de estudantes americanos, e você fará a mesma prova que eles.

Depois as Universidades exigem alguns statements, que são espécies de redações com temáticas específicas, aonde temos a oportunidade de nos apresentar aos comitês de admissão. O principal é o Statement of Purpouse (SoP), um dos principais documentos da candidatura, e talvez o mais difícil de fazer, pois em um texto extremamente enxuto devemos nos apresentar, dizer o que queremos pesquisar, por que escolhemos a universidade X e o que pretendemos fazer com isto. Quando digo enxuto, é enxuto mesmo, duas ou três páginas!

Tem também as cartas de recomendação, normalmente são exigidas três cartas. Preferencialmente de professores com quem você trabalhou, mas elas devem ressaltar características suas e o porquê da recomendação.

Algumas vezes são exigidos que você apresente exemplos de trabalhos anteriores, como artigos na área. Não esquecendo que tudo isto em inglês, então se planeje com antecedência e peça ajuda a amigos na leitura dos textos.

Especificamente para a candidatura à bolsa do CsF, precisei fazer um “plano de estudos”, uma espécie de projeto de pesquisa, o qual foi avaliado por especialistas da área, cadastrados no MEC, que emitem parecer sobre o projeto. Também conta na avaliação seu currículo Lattes, produção acadêmica, relevância do tema e inserção dentro das áreas prioritárias.

Resumindo, temos dois processos de seleção paralelos, um é a candidatura à bolsa do CsF, outro é a inscrição nos processos seletivos das universidades americanas. Para alguns outros países, primeiro você deve ter aprovação de um programa de doutorado para só depois se inscrever a bolsa. No meu caso, o normal para os EUA, os processos são simultâneos, o que pode gerar fatos como ser aprovado em uma universidade e ter a bolsa negada, ou ser aprovado no CsF mas não conseguir passar em nenhuma seleção de PhD. Ocorreram casos assim com pessoas no meu edital, cabe correr atrás de outro tipo de financiamento, caso você tenha sido aprovado pela universidade, ou tentar no outro ano novamente.

4- Quais são as suas dicas para quem quer participar?

Planejamento e dedicação. Saiba que você ficará pelo menos um ano em processo de seleção. Existirão períodos de mais trabalho e outros de espera, mas no fim valerá a pena.

Cada etapa exige um esforço específico e é importante planejar com antecedência.

Se você ainda está no meio acadêmico aproveite para se envolver com pesquisa, ter publicações no currículo é importante. Se não tiver, não tem problema, você pode tentar compensar em outras partes de sua candidatura. Imagine o processo de seleção quase como uma entrevista de emprego (algumas universidades realizam entrevistas por Skype), se em algum ponto dos apresentados acima você acha que não está muito bem, ressalte outros pontos fortes.

Crie as relações com os possíveis professores que farão as cartas de recomendação com antecedência, bastante antecedência. Converse com eles sobre suas intenções, peça sugestões, orientação, tente incluir eles no seu processo. Além de conseguir uma preciosa ajuda em um momento complicado, certamente eles ficarão mais seguros a escrever uma boa carta de recomendação desta forma.

Procurar um possível orientador na Universidade que você pretende se inscrever é uma das coisas mais importantes, e trabalhosas, para fazer. O apoio de um professor que esteja interessado em trabalhar com você pode ajudar muito. Para isto, prepare-se, você terá que ler muito. Procure na página dos programas de PhD que você tem interesse o currículo do corpo docente. Identifique aqueles que tem interesse e produção mais próximo da área que você pretende seguir. Leia seus últimos artigos, procure identificar a relação destes trabalhos com seu projeto de pesquisa. Realmente neste momento inicial você pode não ter uma ideia clara e definitiva do que pretende fazer, é normal, mas mesmo assim faça o melhor. Prepare um bom e-mail, curto e claro, buscando estabelecer contato com o professor e dizendo por que você se interessou pelo trabalho dele.

Existem várias outras dicas, cada passo necessário faça um boa busca na internet que você achará dicas importantes.

Procure também no facebook por grupos relacionados ao assunto, existem vários, normalmente separados por ano, termos como doutorado no exterior, CAPES ou CNPq, Csf SwB e Laspau, são alguns dos encontrados nos principais grupos relacionados ao doutorado nos EUA.

Outro site muito bacana é o www.abroadres.com.br. O Abroaders foi feito por candidatos a bolsa do CsF do edital do ano passado, que assim como eu, iniciarão os estudos agora.

5- Como pretende aplicar seus conhecimentos adquiridos?

Meu PhD será em Planejamento Urbano, minha área de interesse é Resiliência Urbana e como o planejamento urbano pode atuar como ferramenta de mitigação e prevenção de desastres naturais.

Primeiramente, sendo professor, farei aplicação direta através do ensino. Será muito importante o intercâmbio com outros pesquisadores para desenvolver e alavancar a produção acadêmica nesta área, que é efetivamente muito necessária para nosso estado. A partir daí as opções podem se expandir, como trabalhar junto com prefeituras em seus planos diretores, por exemplo.

Estes são alguns dos planos inicias, em quatro anos muita coisa pode mudar, é claro, mas esta é uma área prioritária do CsF e com certeza é muito necessário que mais e mais pesquisadores tenham a oportunidade de desenvolverem trabalhos relacionados.

6- E morar no exterior? O que você espera desta experiência?

Vivenciar uma cultura diferente sempre foi algo instigador. Eu e minha esposa chegamos a pensar sobre isto algumas vezes, até que a ideia foi tomando forma, se juntando a um objetivo e encontrando uma razão.

Tenho certeza que sentiremos muitas saudades de nossa cidade, do Brasil como um todo e principalmente de nossa família. Mas viver outras realidades com certeza poderá ampliar nossos horizontes. Diferentes valores, organização de sociedade, relações interpessoais, culturais, etc., tudo isto é muito enriquecedor, e com certeza somará muito a minha formação acadêmica.

Luiz Felipe, o Blog Sonhando em Viajar! agradece pela entrevista e deseja que seja uma experiência maravilhosa, que aproveitem muito e que seus objetivos sejam alcançados!

Até o próximo post!

Entrevista feita por Adriana Ramos.

PS: a foto foi cedida pelo entrevistado para ser utilizada neste post.

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10 Comentários

  1. Aninha

    Muito legal! Nem imaginava o tanto de trabalho que dá, mas deve ser compensador viver essa experiencia!

    • adriramos

      Olá Aninha! Deve mesmo!

  2. Anônimo

    Grande garoto, merece os parabéns pelo empenho, dedicação e mais ainda pela imensa capacidade que tem de fazer acontecer. Sucesso total para o trio nessa jornada.

    • adriramos

      Olá Anônimo! Continue acompanhando o Blog! 🙂

  3. Sandra Mazzafera

    Se eu já gostava desse casal, agora a admiração só cresceu! Sorte e muita alegria para vocês. E já avisei que iremos aparecer. Beijos

    • adriramos

      Olá Sandra! Obrigada por comentar!

  4. Rosely Faria

    Felipe, parabéns pela dedicação! Tenho certeza de que vocês serão muitos felizes e bem sucedidos lá.

    • adriramos

      Olá Rosely! Obrigada por comentar! 🙂

  5. Giovana

    Tive o prazer de conhece-los em um Encontro de Viajantes em Florianopolis em maio deste ano. Pessoas que realmente fazem a diferenca. Sucesso para a familia e um beijao para a Luciene e pra Laren…

    • adriramos

      Olá Giovana! Obrigada por comentar! 🙂

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